Homenagem a Miguel Rivero nosso colega e amigo, 1939-2011
 

2011 2007



Conheci o Miguel Riviero nestas andanças de jornalismo, anos depois de 1992 quando decidi instalar-me em Portugal e me ter feito sócio da AIEP. Tal como alguns dos muitos outros colegas que passaram ou se fixaram em Lisboa, foi fácil e imediata a amizade com ele, até que nos cruzámos nas tarefas da direção da Associação da Imprensa Estrangeira. Tanto do ponto de vista pessoal, humano, como no plano profissional, Miguel foi um homem afável e crítico, tolerante e coerente, defensor das suas ideias, mas que sabia respeitar as ideias e os pontos de vista dos outros. É uma referência no mundo do jornalismo, (modéstia à parte), que encontrou na sua companheira, Ana, uma mais valia também como pessoa e profissional. Com ambos partilhei alguns momentos de convívio, poucos mas bons. Com eles, mesmo sem a presença física do Miguel, continuarei a partilhar a simpatia, a amizade, o companheirismo e experiências de vida. Bem haja.
João Carlos

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Miguel era para mim um grande rir: tantas coisas parecia dar lhe gozo, numa mixtura de pura alegria e de tristeza frente a estupidez do mundo. A simpatia dele para as pessoas de que ele gostava era surpreendente pela espontaneidade. Miguel gostava dos humanas mas era incancável na luta contra as tentativas de branquear a História. Conheci muito pouco o Miguel, mas este pouco ficara sempre precioso na minha memória.
Marie-line Darcy

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The members of the AIEP have lost a dear and cherished friend in Miguel, as well as an exemplary journalist and colleague. We will miss him deeply, but he will always be there in our memories of the joy and laughter he gave us with his irrepressible good humour and gentle kindness, in which he never faltered, even during the most difficult times of his illness. He was a distinguished and widely-travelled journalist and writer, yet always wore his accomplishments lightly, making other people the centre of his attention. The same was true of his strong political and compassionate principles, for which he suffered personally, but never complained about or drew attention to. We will always remember Miguel, with great regret at his untimely passing away, but also with the laughter and happiness that was so much part of his indomitable spirit.
Peter Wise

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Llegué a Lisboa siendo prácticamente una niña y sin apenas experiencia profesional, con mucha ilusión por embarcarme en el mundo del corresponsal. Miguel fue uno de los primeras colegas que conocí y que junto a otros de sus compañeros de EFE más me ayudaron en mis inicios. Escuchar sus historias, su amplia experiencia en muchos frentes del planeta, me daba mucho ánimo para seguir adelante y no desistir en los difíciles inicios de mi carrera. Muchas veces no nos damos cuenta de lo que influyen las personas en nuestras vidas hasta que nos abandonan. Miguel de forma muy discreta, como él siempre fue, con sentido del humor y con un instinto muy paternal, acompañó y guió a los jóvenes periodistas que íbamos desembarcando en Lisboa. Ha visto nuestro crecimiento personal y profesional, respetando mucho nuestro trabajo y creyendo en nuestras posibilidades. Ha compartido también con nosotros a su entrañable Ana Gloria, una compañera y amiga más para todos los que estuvimos a su lado. Miguel ha sido un verdadero ejemplo de superación de adversidades, después de todo lo que ha sufrido por su querida Cuba. Su patria de la que tanto le gustaba hablar y de la que nos hemos sentido muy próximos. 
Gracias Miguel por todo lo que nos has enseñado y ayudado.
Belén Rodrigo

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Volte sempre!
Conheci Miguel em junho de 2004. Eu era um bolseiro mal vestido, impetuoso e com as ideias pouco claras. Era o meu primeiro dia e apresentaram-me a um senhor de aspecto afável, sorriso tranquilo e olhar terno. Deu-me um aperto de mão sincero e fez uma brincadeira sobre algo que não me recordo. Bastou para me sentir em casa. Ele editou a minha primeira notícia. Ele deu-me valiosos conselhos para abrir caminho no competitivo mundo do jornalismo. Animava-me quando me via perdido, embora me corrigisse rigorosamente quando era necessário. Anos depois regressei à EFE. Miguel continuava ali. Também o seu sentido de humor, jovialidade, amizade e modéstia. Repórter nos confins de Ásia, África, Europa e América Latina, nunca deixou entrever qualquer resquício de vaidade, algo quase natural para alguém com seu currículo. As suas histórias, sempre coloridas com humor, não tinham como finalidade ressaltar as suas “proezas”: contava os episódios mais intensos da sua vida profissional – e pessoal – com naturalidade e acuidade, de maneira a que o seu interlocutor se sentisse parte deles. Embora seja sempre grato ao legado profissional que me transmitiu, o que mais me marcou foi, certamente, o pessoal. Estou certo de que Miguel teve uma vida feliz, mesmo com obstáculos: tanto seu “exílio” como dissidente do regime de Castro como a sua doença não o impediram de manter uma atitude positiva e de se preocupar com os amigos. Ele chamava-me carinhosamente de sobrinho; eu reagia com um sorriso orgulhoso. Ele, juntamente com sua esposa Ana Glória, serão sempre a minha família lisboeta. Inspirado pelo seu genuíno sentido de humor, aproprio-me de uma das suas frases preferidas, que me dedicava no final do expediente: "Volte sempre", senhor Miguel.  

Volte sempre!
Conocí a Miguel en junio de 2004. Yo era un becario desaliñado, impetuoso y con las ideas poco claras. Era mi primer día y me presentaron a un señor de aspecto afable, sonrisa tranquila y mirada tierna. Me dio un sincero apretón de manos y bromeó sobre algo que no recuerdo. Enseguida me sentí en casa. Él me editó mi primera noticia. Él me dio valiosos consejos para abrirse paso en el competitivo mundo del periodismo, él me animaba cuando erraba en la misma piedra, aunque también me corregía severamente cuando era necesario. Y me incentivaba si el trabajo estaba bien hecho. Años después regresé a EFE. Miguel seguía ahí. También su sentido del humor, jovialidad, camaradería y modestia. Reportero en los confines de Asia, África, Europa y Latinoamérica, Miguel nunca dejó entrever un resquicio de vanidad, a la que sería casi natural caer con un currículo como el suyo. Sus historias, siempre teñidas de humor, no tenían como finalidad resaltar sus "proezas". Contaba los episodios más intensos de su vida profesional -y personal- con naturalidad y agudeza, de manera que su interlocutor se sintiese partícipe de las mismas. A pesar de que siempre estaré agradecido al legado profesional que me transmitió, el que más me marcó fue sin, duda alguna, el personal. Estoy seguro de que Miguel tuvo una vida feliz, aunque no exenta de obstáculos. Esos obstáculos, como su "exilio" por ser disidente al Régimen de Castro o su enfermedad, no le impidieron mantener una actitud positiva y preocuparse siempre por sus amigos. Él me llamaba cariñosamente de sobrino; yo le retribuía con una sonrisa orgullosa. Él, junto a su esposa Ana Glória, serán siempre mi familia lisboeta. Inspirado en su genuino sentido del humor, me apropio de una de sus frases preferidas que me dedicaba a la hora de salir del trabajo. "Volte sempre", señor Miguel.
Antonio Torres

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Como sócio da AIEP entre 2000-2004, tive o enorme gosto de conhecer bem a Miguel e queria dizer que o seu falecimento entristeceu-me muito, porque significa a perda de um grande amigo e um jornalista de primeira. Miguel e eu partilhámos largas centenas de conferências de imprensa, e costumávamos comentar o conteúdo delas no taxi quando voltávamos aos nossos escritórios. Também comentámos assuntos relacionados com a América Latina, de onde ele era originário e eu tinha vivido muitos anos. Uma vez, quando lhe perguntei porque decidiu não asistir a uma conferência oferecida durante uma visita de sorpresa de Fidel Castro, no 2001, com o seu sentido de humor de sempre, respondeu “Por que temía que tanta inteligencia  fuera deslumbrarme.” É mais, chamou-me a atenção a falta de rencor na sua resposta. Otro exemplo da sua forma de acertar, sem perder a compostura quando muitos sim a perdiam, foi numa reunião na Associação 25 de Abril, para falar sobre o governo de Hugo Chávez. “Por qué crees que mantiene el poder?” perguntou alguém.“Porque tiene al ejército,” respondeu Miguel. Após a minha saída de Lisboa, como amigo que era, Miguel estava à minha espera quando voltei para matar saudades. O Miguel foi, e sempre será, simplesmente inesquecível.
Martin Roberts

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Cara Ana Gloria,
Siempre he sido muy torpe para expresar mis sentimientos. Pero necesito decirle a alguien, y a quién mejor que a ti, lo mucho que apreciaba a Miguel y lo que siento su falta. Quienes le conocimos de cerca en Efe le echaremos siempre de menos. Se ganó nuestro cariño y respeto. Fue un excelente amigo y un gran periodista, aunque muchos solo llegaramos a presenciar el epílogo de lo mucho que hizo en esta profesión. Siento que con él ha muerto una parte de todos los que le tuvimos cerca y disfrutamos de esa jovialidad cubana que tanto alegraba cualquier rutina y cualquier aprieto. Pero su recuerdo no nos abandonará. Recibe las muestras de pesar que sus compañeros de la agencia me han transmitido. Imagino lo duros que han sido los últimos meses para ti y también lo importante que debió ser tu apoyo para él. Has sido una gran compañera. Con el cariño y la fortaleza que le has dedicado, Miguel nos lega también una hermosa historia de amor. No la ha escrito pero ha tenido la suerte de vivirla.Os llevaré siempre a los dos en mi corazón. Con todo mi afecto y toda mi solidaridad por su falta, te envío un fuerte abrazo.
Emilio Crespo
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recortes da Imprensa:

Fallece el corresponsal de prensa española, cubana y lusa Miguel Rivero
Lisboa, 30 jul (EFE).- El periodista cubano-portugués Miguel Rivero, que trabajó para la Agencia EFE y numerosos medios españoles, lusos y cubanos, falleció hoy en Lisboa a los 72 años de edad.
Rivero, que fue corresponsal de guerra para la agencia cubana Prensa Latina en Indochina y Africa, y desde Lisboa colaboró después con publicaciones de la disidencia democrática de la isla, llevaba varios meses hospitalizado por una grave dolencia. Desde que fijó su residencia en Portugal, en los años noventa, colaboró con medios como "Diário 16", "La Vanguardia" y "El Triangle", de España;
"El Sol" de México; "Brecha", de Uruguay; y el "Diario de Noticias" de Lisboa. Autor del libro "Infierno y Amanecer en Kampuchea" (La Habana, 1979), Rivero cubrió, durante sus cincuenta años de experiencia profesional, varios de los más largos conflictos del siglo XX, como las guerras coloniales africanas, y fue testigo de la salida de las tropas norteamericanas de Vietnam. Casado con la periodista portuguesa Ana Gloria Lucas y padre de dos hijos, Rivero, adoptó también la nacionalidad portuguesa pero mantuvo hasta el fin de su vida una intensa vinculación con su país de origen, que volvió a visitar en varias ocasiones. Nació en Cuba en 1939 y, tras licenciarse en Ciencias Políticas por la Universidad de la Habana, fue jefe de redacción del diario "Juventud Rebelde" en los años sesenta. Desde 1970 trabajó en la agencia Prensa Latina, donde fue subdirector de información y jefe del servicio de reportajes y  corresponsal en Indochina, Francia, Gran Bretaña, Africa y China.
Entre 1985 y 1989 dirigió en Cuba las revistas "Prisma" y "Bohemia" y el noticiero de la televisión cubana. Después se trasladó a la República Checa, donde fue también corresponsal y responsable de Publicaciones de la Organización Internacional de Periodistas. En los años noventa, alejado ya de los medios cubanos, se afincó en Portugal, donde fue el editor del diario en español de la Exposición Universal de 1998, y colaborador de diversos diarios y revistas de Latinoamérica y España. Directivo en varias ocasiones de la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera en Portugal, trabajó como periodista de la delegación de EFE en Lisboa por más de una década y tras su jubilación laboral, en 2009, realizó diversas colaboraciones profesionales para la agencia. EFE
ecs

Morreu o jornalista cubano-português Miguel Rivero
por LusaHoje
Miguel Rivero, que trabalhou em vários órgãos de comunicação cubanos, espanhóis e portugueses, faleceu hoje em Lisboa, aos 72 anos, vítima de cancro, anunciou a Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP). "Miguel Rivero era uma mente brilhante, que sabia questionar de forma aguda e pertinente os factos do nosso tempo. Lutou até o fim e, para todos nós, ele será para sempre um exemplo de coragem e dedicação", recordou a presidente da AIEP, Marie-Line Darcy, numa nota enviada à agência Lusa. Miguel Rivero nasceu em Cuba em 1939 e, depois de licenciar-se em Ciências Políticas pela Universidade de Havana, foi chefe de redação do jornal "Juventude Rebelde". Foi também autor do livro "Inferno e Amanhaecer em Kampuchea" e testemunha de vários dos mais importantes conflitos do século XX, nomeadamente as guerras coloniais, em África, e assistiu à saída das tropas norte-americanas do Vietname. Nos anos 90, afastado já dos órgãos cubanos, fixou-se em Portugal, onde desempenhou as funções de editor do diário em espanhol da Expo 98, e colaborou com vários jornais e revistas da América Latina e de Espanha. Dirigiu, ainda, por várias ocasiões, a Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira em Portugal e trabalhou como jornalista na delegação da agência espanhola Efe em Lisboa, por mais de uma década.

Morreu o jornalista cubano-português Miguel Rivero
Por Redacção
Morreu o jornalista cubano-português Miguel Rivero, aos 72 anos, em Lisboa, vítima de cancro, anunciou a Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP). Nasceu em Cuba em 1939 e licenciou-se em Ciências Políticas pela Univerisdade de Havana. Foi chefe de redacção do jornal Juventude Rebelde. Escreveu o livro «Inferno e Amanhecer em Kampuchea» e testemunhou alguns dos mais importantes conflitos da história do século XX, designadamente as guerras coloniais em África e a saída das tropas norte-americanas no Vietname. Afastado da imprensa cubana, fixou-se em Portugal nos anos 90, onde foi editor do diário em espanhol da Expo 98 e colaborou com vários jornais e revistas da América Latina e de Espanha. Foi, ainda, dirigente por várias ocasiões da Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira em Portugal e foi jornalistas por mais de dez anos na delegação da agência espanhola EFE em Lisboa.
17:53 - 30-07-2011

Morreu o jornalista cubano-português Miguel Rivero
30 de Julho, 2011
O jornalista cubano-português Miguel Rivero, que trabalhou em vários órgãos de comunicação cubanos, espanhóis e portugueses, faleceu hoje em Lisboa, aos 72 anos, vítima de cancro, anunciou a Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP).
"Miguel Rivero era uma mente brilhante, que sabia questionar de forma aguda e pertinente os factos do nosso tempo. Lutou até o fim e, para todos nós, ele será para sempre um exemplo de coragem e dedicação", recordou a presidente da AIEP, Marie-Line Darcy, numa nota enviada à agência Lusa. Miguel Rivero nasceu em Cuba em 1939 e, depois de licenciar-se em Ciências Políticas pela Universidade de Havana, foi chefe de redacção do jornal “Juventude Rebelde”. Foi também autor do livro “Inferno e Amanhecer em Kampuchea” e testemunha de vários dos mais importantes conflitos do século XX, nomeadamente as guerras coloniais, em África, e assistiu à saída das tropas norte-americanas do Vietname. Nos anos 90, afastado já dos órgãos cubanos, fixou-se em Portugal, onde desempenhou as funções de editor do diário em espanhol da Expo 98, e colaborou com vários jornais e revistas da América Latina e de Espanha. Dirigiu, ainda, por várias ocasiões, a Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira em Portugal e trabalhou como jornalista na delegação da agência espanhola Efe em Lisboa, por mais de uma década.
Lusa / SOL


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